Múltiplas Infâncias, 2022

Centro Cultural Oscar Niemeyer, Duque de Caxias

“Eu queria construir algo que se baseasse numa experiência física que remetesse a algo lúdico sem necessariamente recorrer aos brinquedos de parques convencionais. Dentro da minha memória de infância, me vieram rapidamente as catracas que ficavam nas estações de trem. Para mim, a ideia de viajar de trem do subúrbio para Salvador ou vice-versa, era sempre motivada pelo fato de eu ter que passar pelas catracas. Enquanto a função delas era deixar o público passar mediante o pagamento de uma passagem de trem, para mim, era a possibilidade de me pendurar numa de suas barras e ser empurrado pela minha avó, ou pela minha mãe. Achava aquele movimento tão breve, muito empolgante. o tamanho de tudo era agigantado.

Lembro até do barulho que o movimento das catracas faziam. Era uma mistura de mistério, de solidão, isolamento, diversão, perigo e força, tudo junto! Se essas catracas têm uma função definida de separar os pagantes dos não-pagantes, de limitar uma sociedade que pode e que não pode pagar, que ela seja subvertida em movimento, em negociação de espaço, em um labirinto que é viver. Que elas propiciem às pessoas não um fluir mediante um pagamento, mas sim, mediante uma negociação entre indivíduos que ocupam o mesmo lugar, que têm os mesmos objetivos, que podem conciliar seus anseios ao dos outros, também. Que promovam a convivência.”

Rommulo Vieira Conceição


Artista

Artista visual que trabalha com diversos meios, como a instalação, os objetos, a escultura, o desenho e a fotografia, explorando as sutilezas de percepção do espaço na contemporaneidade e as relações do homem contemporâneo no mundo atual. Nasceu em 1968, em Salvador- Bahia, onde começou seus estudos em artes em 1983, sob a orientação da artista Célia Prata, na Oficina de Artes Plásticas da Escola Técnica Federal da Bahia. Atualmente, é representado pela Galeria Gestual, Porto Alegre e pela Galeria Bailune-Biancheri, em São Paulo. Desde 1998 vem realizando exposições individuais e coletivas, e residências artísticas no Brasil, na Argentina, na Austrália, no Japão e na Finlândia. Foi indicado duas vezes ao Prêmio Açorianos de Artes Plásticas (2010 e 2012) e três vezes ao prêmio PIPA (2010, 2011, 2018). Tem obras em vários acervos públicos, dentre os quais: Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo/USP; Museu Afro Brasil, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Museu de Arte do Rio e Museu Nacional de Belas Artes. 

Programação 03 set

10h | 11h — Cortejo de abertura com Toques de Odudua

→ Cortejo de abertura

A abertura do último dia do Play Festival fica por conta do Toques de Odudua, circulando através de um cortejo pela Praça do Pacificador, dando boas vindas ao público!

→ Convidados

Toques de Odudua

O Toques Para Odudua é um Curso Livre de Brinques Populares que se dedica à pesquisa e prática do Maracatu de Baque Virado e suas capilaridades – também, capoeira e outras sambadas no território da baixada fluminense e outras periferias – criando, descobrindo, musicalizando, dançando e outras performances que agem na manutenção de manutenção de culturas tradicionais. Buscando lideranças que fomentem brinquedos populares, esse projeto visa abastecer em recursos essa cadeia produtiva para a elaboração e execução destas “brincadeiras”.

11h | 12h — Performance Capoeira com Guca – Grupo Unificar de Capoeira Angola

→ Performance

Apresentação de Capoeira com Guca – Grupo Unificar de Capoeira Angola, movimento tradicional e um símbolo cultural de Duque de Caxias.

→ Convidados

GUCA – Grupo Unificar de Capoeira Angola

Há mais de 40 anos um símbolo cultural da cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Promovem e participam da Roda Livre de Caxias que reúne capoeiristas de todas as escolas na Praça do Pacificador, no centro do município. A iniciativa começou de forma espontânea em 1973 com praticantes de capoeira de Duque de Caxias.Com o objetivo de valorizar os princípios da ancestralidade, o seu trabalho baseia-se principalmente na resistência e difusão da capoeira angola no Rio de Janeiro.

11h | 18h — Instalação Sonora com Baixa Santo Sound System

→ Instalação sonora

Instalação sonora criada a partir da pesquisa territorial, de memória e identidade dos territórios onde o festival acontece, incluindo sample e releituras musicais dos últimos anos da região dos 5 territórios por onde o festival vai circular.

→ Convidados

Baixa Santo Sound System

É uma experiência sonora, orquestrada por @phhonorato e @ambulantecultural. A dupla, composta por pesquisadores e produtores musicais que circulam por brechós e sebos das cidades brasileiras, busca pelas pérolas sonoras: fitas K7, discos raros, histórias de territórios e oralidades, onde arte sonora, poesias, cantos, samples, rimas, danças, ritmos regionais, batidas e brinquedos eletrônicos se encontram, em um portal sensorial. Convidam a um mergulho nas ervas sonoras, em nossas raízes mais profundas: nativas, afro, indígenas, periféricas; as artes do povo da rua, dos erês, das florestas, das crianças, das cidades e dos anciãos.

11h | 16h — Oficina de Grafite com Lu Brasil e Alto da BF

→ Oficina de Grafite

Comandada por Lu Brasil e Alto da BF, a oficina acontece ao longo do festival com participação ativa do público na criação de um mural.

→ Convidados

Baixada Grafite

Lu Brasil é oficineira na EJA Manguinhos pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio e faz parte dos coletivos: Afro Mulheres de Opinião-Amo Crew, Movimenta Caxias, Baixada Filma além de fazer parte da pesquisa do Baixada Graffiti que realiza um mapeamento sobre a arte urbana na Baixada.

Alto da BF

Rodrigo de Andrade Vieira- Conhecido na arte urbana como +Alto da Bf – nasceu em Duque de Caxias (RJ), em 1992. Através de seu graffiti busca dialogar com a sociedade. Seu estilo tem uma variedade entre letras e desenhos e com um foco principal em mulheres negras e personalidades. Com suas ações em instituições de ensino e locais de periferia vem adquirindo conhecimento e respeito dos moradores. Criou o primeiro mutirão de graffiti no Morro do Sapo, onde pode dar mais visibilidade e levar arte ao local que muitas vezes sofre com a violência e o descaso do poder público. Participa atualmente dos Coletivos: J.M. Juventude em Movimento; Jornal Voz da Baixada; FORAS; Movimenta Caxias e Baixada Graffiti.

13h | 17h — Memórias para minha avó – Resultado Residência Artística PlayLab

→ Resultado Play Lab

Para o Play Clara cria uma performance com o conceito de “Colagens do Inconsciente” onde o espectador acompanha sua produção e criação em pintura durante a programação do festival.

→ Convidados

Clara Bbm

Formada em Artes Cênicas e Pintura, Clara foi participante do Festival do Minuto com os filmes “Toque” e “Fluidez do Movimento .

13h | 14:30h — Oficina de Arte Orgância com Ana Kariri

→ Oficina

A oficina tem como objetivo trabalhar a preservação e cuidado com a mãe terra, usando as cores da terra, extratos das plantas como o urucum, jenipapo e carvão. A artista Ana Kariri traz novas possibilidades para trabalhar a arte, a história de cada elemento para os povos originários e as pinturas de grafismos e seus significados. Para a base das telas são usados materiais como tecidos cruse papel reciclado. “Trabalhando a arte da terra com a oficina de arte orgânica, possibilitamos novos olhares e possibilidades reais de trabalhar a arte como forma de expressão e ao mesmo tempo conscientizar a preservação da natureza e conexão com a cultura dos povos originários.”

→ Convidados

Ana Kariri

Indígena Kariri da Paraíba. Atualmente está Cacica da AFIK-PB (Associação de Famílias Kariri da Paraíba),Arte Educadora e Artista Contemporânea representando a arte contemporânea indígena nas galerias de arte da Finlândia, Itália e Centro Cultural Correios RJ e SP pela AVA Galeria. Idealizadora e Coordenadora de Projetos pelo Coletivo Tuxaua – Rede de Saberes Indígenas. Integra o Conselho de Cultura de Duque de Caxias, faz parte da rede de articulação Nacional RENIU – MULHERES, da Rede de Escritoras Indígenas do Brasil e do Movimento Mundial Mulheres Reais de Arte e Poesia.

14h | 15h — Aulão com Zulu Tecnykko e Slow da BF + Apresentação Cypher Kids

→ Aulão + Apresentação

A oficina começa contando às para crianças e jovens a história do movimento Hip Hop e do Breaking com Zulu Tecnykko e Slow da BF. Em seguida com o Slow da BF nas pick ups Zulu junto com Cypher Kids promove um Ritmo de Batalha numa apresentação com a crianças do coletivo.

→ Convidados

Cypher Kids

O projeto agrega várias crianças e jovens em Duque de Caxias através da Dança de Rua, incentivando e elevando jovens a buscarem seus sonhos e objetivos. A proposta de criação do Projeto Cypher Kids tem como meta o desenvolvimento da Dança (com enfoque político e artístico), incentivando a prática de atividades físicas para a promoção da saúde e a construção de conhecimento, sem que se perca de vista o reconhecimento e o valor da cultura brasileira, na busca dos pontos de confluência e do resgate histórico de todo esse processo. Possibilitando assim um espaço de criatividade e liberdade.

15h | 16:30h — Debate – Quais os caminhos para o protagonismo das infâncias e das juventudes? Quais experiências estão dando certo?

→ Praça de diálogos

Com curadoria de Tathiana Lopes, idealizadora do Play, e cocuradoria de Isabella Rosado Nunes, será realizada uma série de 5 encontros com especialistas, educadores, pesquisadores, artistas e lideranças, para debater temáticas em torno da educação, sob a perspectiva de uma cidade educadora. O encontro propõe conhecer e debater experiências em cidades que vêm apresentando resultados positivos no que se refere aos indicadores de educação, e que utilizam programas que envolvem atividades culturais diversas e de valorização do território. O que é necessário para obter uma performance positiva para a formação de crianças e jovens? Como manter um trabalho diante de constantes mudanças políticas e da falta de continuidade dos programas?

→ Convidados

Biblioteca Municipal Leonel Brizola

Henrique Silveira

Henrique Silveira é coordenador geral da Casa Fluminense, uma organização que atua para a construção de políticas públicas na metrópole do Rio de Janeiro com foco na redução das desigualdades. É geógrafo com mestrado em Cultura e Comunicação, ambos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Já trabalhou com gestão de projetos e coordenação de equipes no IBGE, no Instituto Pereira Passos e no SESC-Rio. Atualmente é membro do conselho do Observatório de Favelas, do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP) e de outras organizações da sociedade civil.

Ana Kariri

Indígena Kariri da Paraíba. Atualmente está Cacica da AFIK-PB (Associação de Famílias Kariri da Paraíba),Arte Educadora e Artista Contemporânea representando a arte contemporânea indígena nas galerias de arte da Finlândia, Itália e Centro Cultural Correios RJ e SP pela AVA Galeria. Idealizadora e Coordenadora de Projetos pelo Coletivo Tuxaua – Rede de Saberes Indígenas. Integra o Conselho de Cultura de Duque de Caxias, faz parte da rede de articulação Nacional RENIU – MULHERES, da Rede de Escritoras Indígenas do Brasil e do Movimento Mundial Mulheres Reais de Arte e Poesia.

Osmar Paulino

Osmar Paulino é geógrafo, professor de Geografia e mestrando em Cultura e Territorialidades na UFF. É curador de exposições de arte e fotógrafo popular. É fundador e diretor executivo do FAIM – Festival de Artes em Imbariê e co-criador e membro do Movimento Social Kilomba Imbariê. É coordenador do HONEPO – Homens Negros na Política e integrante do IMJA – Instituto Maria e João Aleixo.

Miriam de França

Historiadora e Especialista em Educação. Membro e uma das fundadoras do Conselho Municipal dos Direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial e Étnica do Município de Duque de Caxias (COMDEDINEPIR). Assessora e implementadora das Orientações Curriculares para a EJA/Duque de Caxias.

Marlúcia Santos Souza

Marlúcia Santos Souza é Professora da Rede Pública Estadual. Formada pelo CEAM – Curso de Aperfeiçoamento em Museologia Social pela Universidade Lusófona/Portugal e UNIRIO. Mestre em História pela UFF, é diretora do Museu Vivo do São Bento e do Centro de Referência Patrimonial do Município de Duque de Caxias.

16:30h | 18:30h — Oficina + Exibição de Curtas com Mate com Angu

→ Mate com Angu

Uma vivência lúdica sobre linguagem audiovisual, fotografia, auto-imagem e enquadramentos. Com objetivo de apresentar exercícios de forma lúdica que promovam reflexão sobre a importância do audiovisual na vida cotidiana. Mostrar o ato de apontar uma câmera como uma brincadeira séria. Atividades baseadas numa das ideias de Jean-Claude Bernardet de que enquadrar também é analisar.

Filmes:

Disque Quilombola, direção de David Reeks
Crianças do Espírito Santo conversam de um jeito divertido sobre como é a vida em uma comunidade quilombola e em um morro na cidade de Vitória. Por meio de uma genuína brincadeira infantil, os dois grupos falam de suas raízes e desvelam o quanto a infância tem mais semelhanças do que diferenças
13min

Cascudos, direção de Igor Barradas
Ninguém pode com os moleques da Vila Ideal
18min

A Ilha das Crianças, direção de Zeca Ferreira
É dia de Cosme e Damião na Ilha de Paquetá. A tradicional corrida aos doces faz as delícias das crianças, mas também aguça algumas competições.​
13min

A Piscina de Caíque, direção de Raphael Gustavo da Silva
Sonhando em ter uma piscina, Caíque e seu amigo inseparável se divertem escorregando no chão molhado e ensaboado da área de serviço. Por causa do desperdício de água, Caíque acaba criando problemas com sua mãe.
15min

→ Convidados

Mate com Angu

O Cineclube Mate Com Angu é um coletivo audiovisual tradicional, que atua desde 2002 na Baixada Fluminense com exibição e produção de filmes e dinamização de oficinas, provocando a região a se olhar. Faz parte do movimento Baixada Filma e produz um festival de Cinema na região.

https://matecomangu.org/site/

18h | 19h — Encerramento com DJ Rodrigo Cavalcanti

→ performance - DJ

Rodrigo Cavalcanti – um dos caxienses mais queridos da noite do Rio, é DJ, produtor, pesquisador de ritmos, e uma espécie de embaixador da Música na rua pelas quebradas dessa metrópole. Junkie Session, Balkânica, La Cumbia, Pernambeat, Bar do Nanan, são algumas das festas com a marca do cara.

 
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